“Quem como eu crítica e propõe com tamanha veemência, o faz porque acredita que é praticável erradicar a conivência, superar a mediocridade e vencer a alienação que denúncia. Obviamente meu discurso não se dirige aos que estão contentes com nossas sociedades e com as universidades que as servem ou disserem. Escrevo para os descontentes, para os que estão predispostos a mudar a América Latina que existe para edificar aqui e agora a primeira civilização solidária. (Ribeiro, 1991 apud. Advertência 1974)

Prólogo

O objetivo deste livro é o de contribuir para o debate, hoje travado no mundo inteiro, sobre o papel da universidade na civilização emergente e seu lugar na luta contra o subdesenvolvimento. Tal debate transcendeu, há muito, o âmbito das discussões intramuros de filósofos e pedagogos para interessar e  mobilizar a todos. Nele se questiona tanto a estrutura interna da universidade como o caráter da sociedade  em que está inserida, indagando-se  como operam ambas para reproduzir o mundo em que vivemos, tal qual é. (Ribeiro, 1991, p. 5)

Como sua luta é geracional, combatem com o sentimento de premência dos que dispõem de pouco tempo para agir no sentido de transfigurar a universidade, sua trincheira e a sociedade, sua causa. Transfigurar a universidade para que não seja mais a guardiã do que saber organizado a ser transmitido como informação, adestramento e disciplina, mas incapaz de empregar seus próprios recursos intelectuais para debater a responsabilidade ética da ciência e da técnica por ela mesma cultivada e de reformular a ordem social. Transfigurar a sociedade a fim de que assegure a todos educação e trabalho e, sobretudo, não  condene ninguém  a vender talento e habilidades a quem os possa converter em lucro, em benefício de uma minoria. P.6

A doutrina materialista que advoga serem os homens produto das circunstâncias e da educação e que, por conseguinte, os homens novos serão o produto de novas condições e de uma nova educação, esquece que são os homens, precisamente, os que alteram as circunstâncias e que também os educadores têm que ser educados. (Ribeiro, 1991, apud, K. Marx)

“O que não mudará? O que não será transformado? A família, a pátria, a religião, o amor, tudo está em causa para ser redefinido segundo novos padrões marcados pela racionalidade. A liberdade humana – já bem limitada num mundo oprimido pela tradição sê-lo-á ainda mais, quiçá, no novo universo cultural racionalizado, em que a personalidade poderá ser construída intencionalmente por novos sistemas educacionais e em que os desejos e a vontade poderão ser modelados, arbitrariamente, pelos meios de comunicação de massa, cujo poder será prodigiosamente multiplicado.

A importância de tais desafios, no plano do ensino superior, exige que se dediquem a superá-los as mentes mais lúcidas, as mais capazes de enxergar mais longe e em maior profundidade, as mais ousadas no aceitar reptos e, ainda, as mais generosas. Esta é tarefa iniludível, porque o futuro não é uma entidade concreta que esteja à nossa espera. (RIBEIRO. 1991, p.13)

Qualquer ideal medíocre que propugne, para os povos do Terceiro Mundo de amanhã, menos do que já têm, hoje, os povos adiantados e, inclusive, menos do que terão tais povos num futuro previsível, pode ser catastrófico. Pois bem, a não ser na universidade, onde encontrar a capacidade de repensar o mundo com sabedoria e liberdade, de questioná-lo com a necessária amplidão e generosidade antevendo conceitualmente o futuro humano? (RIBEIRO. 1991, p.15)

Cumpre perguntar, porém: pode a Universidade converter-se em um instrumento de mudança intencional de nossas sociedades? A rigor, devemos responder que não já que as classes dominantes farão todo o possível par a impedi-lo. Entretanto, as estruturas de poder não são nunca tão homogêneas e coerentes que consigam impor a vontade das classes dirigentes a menos que a própria Universidade se aça cúmplice delas. (p.21)

“ninguém ignora que uma série de órgãos internacionais e norte-americanos têm, hoje, idéias muito precisas sobre o tio de universidade conveniente à América Latina; sobre as pesquisas que nos cabe realizar e a natureza do ensino a ser ministrado. (38)

Argumento muito usado, em favor da aceitação da ajuda estrangeira é o que afirma implicar sua recusa, para as universidades latino-americanas, a paralisação de quase toda a atividade científica em andamento, porque a mesma depende, quase exclusivamente, dessa ajuda. Daí se depreende, por um lado, que nossas universidades estão incorporadas a um sistema internacional de pesquisa com função subalterna bem definida; e, por outro, serem feitos os financiamentos externos de acordo com programa que expressa uma política deliberada a nossa respeito. (39)

A função mais genérica de uma universidade é a de contribuir – mediante o exercício de seu papel específico de instituição de ensino superior – para a satisfação dos requisitos de perpetuação ou alteração da sociedade global. (49)

NOTA MINHA: Segundo posto por Ribeiro (1991 p.50) a respeito dos “modelos” no exterior, eles devem apenas servir de estímulo para buscar os nossos próprios modelos, tendo em vista a caracterização social, cultural e ambiental de uma determinada nação ser distinta, problemas distintos, caracterização plural de diversidades e necessidades próprias, em conjunto para a formação ideal de nossos discentes de acordo com a nossa própria natureza e nação. Causas conflitantes de problemas até regionais distintos, amparos, legislação, apoio, relações do público com o privado, entre outras causas e atos políticos e de causas sociais, se fazem com formato relevante e  legítimo de conquistas a serem alcançadas pelo Brasil.

Muito mais numerosos do que estes legados foram as cargas negativas da herança internacional, em matérias de organização universitária, que os latino-americanos receberam e incorporaram. Entre os aspectos mais destacados deste fardo está o caráter elitista, tão inglês ou alemão, de nossas universidades e a extraordinária capacidade desenvolvida entre nós para mascarar, com disfarces democráticos, procedimentos absurdos, como os concursos para cátedras, copiados dos franceses. 81

Outra carga desta herança negativa é o estilo autocrático e patrícial com que ainda são exercidas as cátedras, na maioria das universidades latino-americanas…Uma terceira carga negativa consiste no caráter burocrático de nossas universidades, verdadeiras repartições públicas, como as francesas… contestando razões científicas e acadêmicas com o peso de argumentos legais e contábeis. 81

Merecem destaque, além destas, outras cargas negativas desenvolvidas por nós mesmos. São elas: a tendência da universidade para atuar como agência de empregos, seja dos políticos patrícios, seja dos potentados acadêmicos e, como traço peculiar, o mimetismo e a hipocrisia acadêmica a interporem distâncias abismais entre os valores professados e a conduta real, admitindo um cultivo nominal de altos valores sem nada de com a prática da vida universitária propriamente dita. (81)

NOTA MINHA: Ribeiro (1991 p. 83), denuncia o investimento estrangeiros na universidade, com objetivo doutrinadores e espionagem. Esta é uma das causas do vácuo orçamentário investido pela união nas universidades, que estas para se manterem se prostituem aos interesses externos.

Em qualquer caso, a universidade latino-americana enfrentará uma crise de crescimento que, deixada ao sabor de um desenvolvimento espontâneo. Poderá degradar ainda mais seus níveis já precários de ensino, ou apenas mantê-los à custa de uma contenção da oferta de ingresso nos curós, alternativa ainda mais grave.101

NOTA MINHA: Na edição escrita de 1991 a 2010, muito se fizeram nas mudanças das Universidades, tal como autonomia, das Leis que passaram a vigorar a partir da LDB para as Universidades em 1996, outras caminham. Mas o foco interessante do discurso de Ribeiro é a contradição quanto ao subdesenvolvimento, a elite universitária, a propagação de modelos importados e dominantes, o rótulo do neo-liberalismo/marxismo, discurso este sempre impregnado na liturgia acadêmica socialista, mas que em tese, falam deles próprios, visto que tão somente a elite social da pirâmide que fazem parte da cátedra universitária, mantendo o covil social das declarações utópicas sobre si mesmos. É como se fossem confessar os seus próprios pecados.

Ribeiro fala muito sobre a qualidade das universidades enquanto ideologia nacionalista, declara o formato necessário para as áreas de formação para o desenvolvimento do Brasil, da avaliação dos quadros entrantes nas universidades, capazes de identificar a continuidade da ciência na prática acadêmica, e assim, excluir os que não possuem as capacidades, que a educação de base nas escolas públicas não são capazes de formar nas nossas crianças, independente da classe social, apenas do orçamento das Universidades já elitizadas e abastadas, quer pelo próprio orçamento da união, quer pelo investimento externo, para manter a mesma classe dominante.

Assim, este mesmo autor, parte entre, a ideologia massificada e repetitiva dos discursos nas cadeiras acadêmica dos quais sejam “neo-liberalismo” (eles mesmos), “cultura americana e/ou importada” que eles mesmos denunciam, mas agradecem as boas relações desta manutenção, e ao mesmo tempo mantém a mesma configuração do extrato social do conhecimento existente.

  1. Educação elitizada e dominante;
  2. Educação técnica operária/braçal e engenharia de processos;
  3. Educação disfarçada/manipulada na continuidade da manutenção da pirâmide social, a base, que sustenta o topo da aristocracia nacional

Referência

Bibliografia

RIBEIRO, Darcy. A Universidade Necessária – 5ª Ed. Editora Paz e Terra. São Paulo, 1991. Nota Minha: Marisa Viana Pereira

_____________________________<_CONEXÃO_>

“Com tudo o que adquirires, adquire compreensão”

“Sabedoria é a coisa principal. Adquire sabedoria e com tudo o que adquirires, adquire compreensão.” — Pro. 4:7.

ATUALMENTE, vivemos num século que presenciou virtualmente uma explosão de conhecimento. Em todos os campos da ciência e do saber, acumulam-se informações numa velocidade espantosa. Devido às pesquisas nos laboratórios, à exploração em terra, no fundo do mar, longe lá fora no espaço, os novos dados entram mais rapidamente do que os homens podem processar e avaliar.

Somos informados pela Bíblia: “Sabedoria é a coisa principal. Adquire sabedoria; e com tudo o que adquirires, adquire compreensão.” (Pro. 4:7) São estas palavras cumpridas pela pesquisa que acabamos de descrever? Resultou na sabedoria que devemos buscar, como a “coisa principal”? Pois bem, solucionou os grandes problemas da terra? Resultou para o povo numa vida mais sadia, mais feliz, mais segura, pacífica e produtiva? Ajudou ao homem a se dar melhor com o seu próximo? Sabe a resposta a isso. Hoje em dia, vivemos num mundo doentio e confuso, em tempos de frustração sem precedentes, em dias em que a própria existência do homem e de todas as criaturas neste planeta está sendo seriamente ameaçada. Paradoxalmente, porém, grande parte da pesquisa moderna do homem tem contribuído para este mesmo estado de coisas. — Ecl. 8:17; Jó 28:4-21; Tia. 3:13-18.

Ao passo que a maioria permite que a sua atenção e seu tempo sejam ocupados pelo conhecimento oferecido pelos sistemas deste mundo, um número cada vez maior de pessoas recorre a outra coisa. Sentem agora a necessidade definida e urgente de obter compreensão clara da Bíblia. Querem obter conhecimento sólido e fidedigno, em que possam basear suas convicções e esperanças. Procuram um guia para ajudá-las a solucionar os problemas cotidianos da vida, para auxiliá-las a fazer as decisões certas em tempos de crise. E, acima de tudo, estão interessadas na promessa de vida eterna, da parte de Deus, e em conhecer os seus requisitos. A Bíblia lhes dá esta informação, mas precisam compreender o que leem. — Sal. 119:105, 160; João 17:3.

A Bíblia é para ser compreendida. Deus se prontifica a ajudar-nos a compreendê-la. Mas precisamos demonstrar a atitude correta, um espírito disposto. No Salmo 32:8, 9, Jeová diz: “Eu te farei ter perspicácia e te instruirei no caminho em que deves andar. Vou dar conselho com o meu olho fixo em ti. [Mas] não vos façais iguais ao cavalo e ao mulo sem entendimento, cuja fogosidade é preciso reprimir por meio de freio ou cabresto, antes de se chegarem a ti.” Deus não nos persuadirá com lisonjas a nos chegarmos a ele. Precisamos chegar-nos de bom grado e voluntariamente pelo estudo de sua Palavra, deleitando-nos em fazer isso e pondo em operação em nossa vida aquilo que aprendemos. — Pro. 2:10, 11.

É isto o que sente no seu coração? Então deve e pode juntar-se ao salmista em dizer: “Instrui-me, ó Jeová, no caminho dos teus regulamentos, para que eu o observe até o último. Faze-me entender, para que eu observe a tua lei e para que eu a guarde de todo o coração. . . . Faze meus olhos passar adiante de ver o que é fútil; preserva-me vivo no teu próprio caminho.” — Sal. 119:33-37.

CONHECIMENTO, SABEDORIA E COMPREENSÃO

A leitura da Bíblia nos dará conhecimento. O conhecimento, porém, não basta. “Sabedoria é a coisa principal. Adquire sabedoria; e com tudo o que adquirires, adquire compreensão. Estima-a muito, e ela te exaltará. Ela te glorificará, porque a abraças. Dará à tua cabeça uma grinalda de encanto; presentear-te-á com uma coroa de beleza.” (Pro. 4:7-9) Apenas o conhecimento não fará isto.

O conhecimento significa simplesmente familiaridade com fatos, obtida pela observação e pela experiência, ou pela leitura ou pelo estudo. O conhecimento é básico; sem ele somos ignorantes. Mas a sabedoria, conforme diz o livro de Provérbios, é “a coisa principal”. Por quê? Porque a sabedoria significa pôr a trabalhar o conhecimento dum modo que produza resultados bons, resultados desejáveis.

É a “coisa principal” porque sem ela nosso conhecimento — a própria vida — seria de pouco valor. Com a sabedoria atingimos os alvos que nos fixamos, os objetivos que desejamos alcançar. — Pro. 8:4-21, 32-36; Ecl. 7:11, 12.
Onde entra, então, a compreensão? E por que diz a Bíblia que com toda a nossa adquisição de sabedoria devemos adquirir compreensão?

A compreensão ou o entendimento significa ver os fatos na sua relação entre si. Subentende discernimento e perspicácia, ver as causas e os motivos duma questão. Com a compreensão vemos não apenas os pontos isolados da questão, mas o quadro inteiro. Podemos, de fato, “somar dois e dois” e chegar à conclusão certa. — Daniel. 9:22, 23.

Podemos ilustrar isto com o uso duma concordância bíblica ou chave bíblica. Quando verificamos certa palavra na concordância, digamos a palavra “fé”, encontramos muitos textos alistados sob este verbete. Quando os lemos, obtemos conhecimento. Quando podemos ver como se relacionam entre si, como se harmonizam e se iluminam mutuamente, como afetam a nossa relação com o nosso Criador, então obtemos compreensão ou entendimento. E quando então aplicamos estas verdades eficazmente na nossa própria vida e as usamos para ajudar outros, usamos de sabedoria. — Pro. 15:2, 7; Ecl. 12:9, 10.

A compreensão nos ajuda tanto a obter conhecimento como a usar de sabedoria. Provérbios 14:6 diz que “para o entendido o conhecimento é coisa fácil”. Por que se dá isso? Porque o entendido é capaz de relacionar novos fatos com o conhecimento anterior, de ver como se relacionam e onde se encaixam. Ligando-os assim ao conhecimento anterior, os novos fatos causam uma impressão duradoura na sua mente e são lembrados. E para realmente “sabermos” algo, precisamos lembrar-nos dele, não simplesmente ouvi-lo ou lê-lo e depois esquecê-lo. Além disso, o entendido vê as coisas em foco mais nítido. Vê como se relacionam com Deus e seus propósitos e que efeito têm sobre ele mesmo. Portanto, a compreensão fixa o conhecimento, torna-o mais firme.

A compreensão fortifica igualmente a sabedoria. É por isso que o provérbio diz: “Adquire sabedoria; e com tudo o que adquirires, adquire compreensão.” A pessoa talvez tenha o conhecimento e a sabedoria para dirigir um automóvel. Mas se compreender como foi montado o automóvel, como funcionam as diversas partes e qual é a função de cada uma, será melhor motorista, motorista mais sábio. Assim se dá também com a Bíblia. A pessoa pode ler na Bíblia que deve fazer certa coisa. Visto que está na Bíblia, ela aceita isso como instrução da parte de Deus e a faz. Este é o proceder de sabedoria. Mas se fortalecer esta sabedoria com maior compreensão, aprendendo por que Deus quer que se faça determinada coisa, para que fim serve, como se relaciona com os outros propósitos de Deus, então a sua convicção e determinação de continuar com a execução fiel dela são grandemente fortalecidas. Com a compreensão pode realmente amar a Deus e servi-lo de todo o coração, de toda a alma e de toda a mente. — Mat. 22:37.

Tenha mais conhecimento, acesse:

JW.ORG 

3.”Isto significa vida eterna, que absorvam conhecimento de ti, o único Deus verdadeiro, e daquele que enviaste, Jesus Cristo.” João 17:3
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